Paulo Renato Pinto Porto

A instalação do Conselho Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Comudes) pela prefeita Rosinha Garotinho representa um passo na direção do enfrentamento dos sérios problemas que advirão nos próximos anos com a instalação de projetos industriais cujas obras gigantescas estão em curso, e que trarão sérios impactos sociais, ambientais e culturais em nossa região.

A decisão da prefeita é acertada porque cabe à sua cidade dar a partida para este processo de discussão sobre o seu futuro e da própria região. Até porque Campos é centro de importância regional e cidade concentradora de uma respeitável massa crítica, por conta da sua condição de polo de ensino acadêmico.

A Uenf e outras universidades são de fundamental importância para a discussão e planejamento da cidade e seus horizontes, dentro de um novo contexto que surge a partir das transformações que ocorrerão nesta e futuras décadas.
A propósito, Campos é um dos municípios de médio porte que mais exibe maior demonstração de vigor orgânico em sua sociedade civil, face ao intenso e salutar debate sobre a cidade que se trava nos blogs sérios criados por intelectuais e formadores de opinião.

O maestro Tom Jobim costumava dizer que cidade que chega a 1 milhão de habitantes não tem mais salvação. Campos não chegou ainda a esses números, mas as projeções apontam para esta concentração populacional em breve.
Portanto, o avanço e aperfeiçoamento deste debate exige novas soluções, face às complexas e contínuas transformações que geram os progressos econômico e social, mas também trazem em seu bojo seus inevitáveis efeitos colaterais.

O nível de desenvolvimento dessas forças produtivas materiais e as relações de produção precisam ser debatidas por seus agentes, num forum de discussão plural, onde o progresso e o crescimento sejam benéficos a todos, socialmente justo e ambientalmente correto.

O processo tradicional do crescimento econômico de um país ou uma região, numa sociedade capitalista, acaba por gerar uma série de contradições e conflitos que haverão de surgir, exemplo maior da presente eclosão das demandas entre pequenos produtores rurais do Açu, investidores e o governo do Estado no processo de desapropriação das terras que garantem sua subsistência.

O Comudes pode ser um marco histórico no avanço do processo de discussão de Campos e na construção de uma sociedade mais democrática e participativa como agente do seu destino, onde interajam poder constituído, a sociedade civil como sujeitos capazes de contribuir para um projeto com uma visão consistente, ampla e global de crescimento econômico, mas com desenvolvimento social e qualidade de vida para todos.

Jornalista