Rosinha Garotinho

A arte e a criatividade fazem parte do cotidiano da população brasileira. Não fosse sua capacidade de inventar e improvisar diante de uma realidade tão opressora e ainda por cima dançar, sambar, compor e manter um sorriso nos lábios, fazendo piadas diante das ironias da vida, o caos, a violência urbana, a desigualdade e a desagregação social já teriam levado ao surgimento de níveis incontroláveis no que diz respeito à coesão social.

Somos a grande maioria de ascendência estrangeira, ainda de muito poucas gerações. Do português ao negro africano, passando pelo árabe, pelo italiano, pelo japonês, pelo alemão e por muitos outros fluxos de imigração, em contato com os povos já acentuados aqui se gerou uma miscigenação extraordinariamente rica em traços culturais.

Historicamente, a capacidade de integração desses imigrantes e de metabolização de suas culturas nas culturas locais prévias tem sido muito elevada, talvez mesmo uma das maiores e mais flexíveis do mundo.

A semelhança do argumento, segundo o qual, é inegável nosso potencial ambiental há uma tendência irreversível de ampliação dos espaços de acumulação no âmbito da produção cultural e artística, bem como do lazer em geral (o que inclui a parte esportiva) em relação aos quais estamos perfeitamente aptos a nos credenciar para ocupar estes espaços na Saara mundial.

Nossos craques, já bem cedo, são transferidos para os grandes clubes europeus e, na maioria das vezes, brilham nos gramados do velho continente. Nossa música se universalizou com a formação da dupla Jobim/Sinatra divulgando a bossa nova. Nossa literatura é rica com autores de alta qualidade.

Diante de todo esse potencial, entretanto, temos exemplos pouco interessantes: a taxa de leitura da população é baixíssima e o analfabetismo funcional ainda é alto, seja por conta do programa de alfabetização insuficiente, seja por conta do alto preço do livro em razão do baixo poder aquisitivo da população.

Nosso país apresenta potencialmente diversas vantagens comparativas em relação a outros países, destacando-se a mão de obra com qualificação artística, infra-estrutura de alta qualidade, produto final de baixo custo competitivo internacionalmente, temática cultural rica e diversificada e paisagem natural inegavelmente bela.

Diante de uma realidade tão rica é, realmente, lamentável ainda não ocuparmos um lugar de certo destaque no mercado mundial das artes e do entretenimento. A demanda desse mercado é rica e vigorosamente crescente.

Portanto, não podemos mais perder tempo e divisas por não aproveitar esse nicho natural do mercado cultural. Fortalecer este povo talentoso e criativo com oportunidades é um de nossos objetivos. (Publicado em 01/06/2009).

Prefeita de Campos dos Goytacazes e presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro)