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José Roberto Bernasconi
A Copa de 2010 terminou, para o Brasil. A derrota no campo de jogo, porém, exige que todos os responsáveis pela preparação brasileira para realizar bem a Copa 2014 se debrucem sobre os desafios de, agora, executar as obras de infraestrutura esportiva e geral para a realização do campeonato mundial de futebol. Isto porque ainda há indefinição em questões básicas, essenciais, como por exemplo sobre o estádio que sediará a abertura dos jogos, num momento em que, finda a Copa de 2010, na África do Sul, as atenções do planeta, por intermédio da mídia esportiva, se concentrarão no Brasil.
A polêmica que se instaurou após a decisão da Fifa de retirar o estádio do Morumbi da Copa 2014 – se a capital paulista deve construir um novo estádio em Pirituba, zona oeste paulistana, para recepcionar o jogo de abertura do campeonato ou optaria por outra solução, desistindo do jogo inaugural – é emblemática da época em que vivemos. Este é o momento de falar sério e pensar não somente no espetáculo, mas essencialmente nos custos e benefícios, no legado para a sociedade, dos investimentos a serem feitos, públicos em sua maioria.
Ponderando todos esses quesitos e tendo em vista que a construção de um novo estádio em São Paulo, com capacidade para mais de 65 mil espectadores, e de todas as demais obras exigidas para atender às exigências da Fifa (transporte de massa, vila de hospitalidade, entre outras), envolveria alguns bilhões de reais, o mais sensato seria o Brasil definir o estádio do Maracanã, revitalizado, para sediar o jogo de abertura e da final da Copa 2014. Afinal, os investimentos públicos na reforma do Maracanã para o campeonato serão feitos, obrigatoriamente. Essa foi a opção da África do Sul para a abertura e a final da Copa 2010, com o estádio Soccer City sediando ambas as partidas.
O novo estádio paulistano estaria situado numa área de 5,5 milhões de m2, declarada de utilidade pública pela prefeitura de São Paulo, que pretende erguer ali um novo, moderno e amplo espaço para eventos, que substituiria o parque do Anhembi, já acanhado para a demanda, como principal centro de eventos da capital paulista. São Paulo é o maior polo de atração da América do Sul, possui diversificado turismo de negócios, é um centro de feiras e exposições e, assim, necessita construir e operar um novo centro de eventos de padrão global, condigno e compatível com sua condição de cidade mundial – candidata a sediar a Expo 2020 ou 2025.
Mas, para isso, deve desenvolver o masterplan do empreendimento, obter as aprovações e os licenciamentos ambientais, proceder às licitações de caráter internacional para decidir a quem atribuir a concessão do empreendimento (construção, operação e manutenção) por 20 a 30 anos, incluindo os espaços cobertos de 350 mil m2 e espaços abertos, parque hoteleiro, restaurantes, equipamentos de apoio e até uma arena multiuso além, é claro, da adequação total da área e de prover a infraestrutura necessária para sua implantação e operação. Só que isso, para ser pensado, estudado, planejado, projetado, licenciado, operado, construído, equipado e montado, testado e aí, então, operado, demanda um prazo entre seis a oito anos. Não é viável e tampouco recomendável, técnica e economicamente, realizar esse projeto em cerca de três anos, sob pena de temos obras mal planejadas, executadas às pressas e sujeitas a problemas de toda ordem, até mesmo de descontrole de custos e de qualidade, entre outros.
Assim, a opção pelo Maracanã seria a que ofereceria a melhor solução e ajudaria a realçar mundialmente o estádio-símbolo do futebol brasileiro, do Rio de Janeiro e do Brasil como um ícone da Copa 2014. O Maracanã, construído para a Copa de 1950, pode ter revitalizada sua imagem em escala mundial, sem exigir investimentos outros que os já previstos para a sua reforma e os requeridos para a Olimpíada 2016.
Com essa decisão, lógica, racional e que otimiza investimentos, São Paulo pode perfeitamente receber os jogos de classificação, das oitavas e até das quartas-de-final com o Morumbi, que já está pronto e exige apenas as adaptações necessárias, com as quais o São Paulo Futebol Clube já está comprometido, juntamente com seus parceiros/financiadores da obra.
O Brasil não pode correr o risco de soluções improvisadas. Os investimentos que devem ser alocados sob a rubrica Copa 2014 não são pequenos: para a reforma/construção dos 12 estádios, estimam-se cerca de R$ 6 bilhões; somando-se a isso as demais obras de infraestrutura (mobilidade urbana e interurbana, aeroportos, portos, rodovias, hospedagem, saneamento, segurança e saúde), chega-se ao montante de aproximadamente R$ 60 bilhões. Enfim, esta é uma oportunidade de ouro e que não pode – e principalmente não deve – ser desperdiçada pela falta de planejamento e de ações previamente estudadas e definidas.
Ppresidente da Regional São Paulo do Sindicato da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco/SP)
