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Ebenézer Anselmo
Há ocasiões em que, por mais que nos esforcemos, não encontramos um bom assunto para discorrer, avaliar, esmiuçar e fechar com uma boa conclusão. Não que nos falte assuntos, pois eles sobram. Mas, o articulista busca sempre uma matéria para exercitar o pensamento e que traga algo de positivo a ser passado para os leitores e para ele mesmo. O exercício de pensar é sadio, positivo e aprimora-se cada vez mais na medida em que praticamos com frequência essa arte ou este hábito.
Neste exato momento, sem um assunto escolhido ainda, percebo que o texto vai se encorpando e algumas idéias começam a fluir na nossa mente, tal como a de analisar situações que vão surgindo à medida que vamos enfileirando palavras e tentando dar um sentido ao que elas expressam. A busca, contudo, não cessa porque a cada idéia ou palavra escrita, novos pensamentos e idéias nos afloram à mente e pedem para ser materializados no texto que flui com certa facilidade. Percebo que até a palavra mais insignificante e despropositada dá origem a pensamentos novos que precisam apenas ser coordenados e vinculados, formando novas idéias, que, por sua vez, formam novos pensamentos e conclusões.
Que coisa maravilhosa é a arte de pensar. Juntando-se letras temos palavras, juntando-se palavras temos novos pensamentos os quais dão origem a mais pensamentos que se sucedem e se manifestam formando frases e conceitos maravilhosos, que jaziam escondidos no mais profundo da nossa mente.
Mas, aqui me lembro dos meus professores de Português e de Literatura que diziam que um texto precisa ter começo, meio e fim, ou seja, precisa ter um início, um contexto e uma conclusão, tudo isso com sequência e coerência, que, verdadeiramente, justifique o esforço ou exercício de escrever. Quando se escreve há que se ter um propósito ou o objetivo de dizer ou discorrer sobre algo que se conheça e que acrescente algum valor ao assunto e aos que o lêem. Fazer ou criar algo que para nada sirva, é um esforço que não se justifica e nem se compreende. Aquilo que se faz ou se constrói, se não servir para nada, é esforço desperdiçado e tempo que não se recupera. É vida que não se viveu, apenas, desperdiçou-se.
Portanto, o tema escolhido para esse artigo é, exatamente, a falta de assunto no exercício do jornalismo e a incrível capacidade de raciocinar e escrever do jornalista, o que nos leva a perceber mais uma vez a beleza e a importância das palavras, que formam todos os conceitos e pensamentos. E o mais interessante é que o inverso também é verdadeiro, isto é, pensamentos também geram palavras. Pois, com o simples e maravilhoso exercício de pensar, vamos puxando outras palavras, as quais vão formando novos pensamentos e idéias que, por sua vez, vão montando um texto, com lógica e conteúdo. São novos pensamentos e conclusões, que nos surgem ao cultivar o hábito tão esquecido de usar nossos bilhões de neurônios.
Muito bonita, maravilhosa mesmo é a arte de escrever. Arte que, mais do que qualquer outra, podemos chamar de exercício de pensar de modo coordenado e coerente. O ato mais profícuo que conhecemos é a ação de pensar, procurando soluções para todo tipo de problema, alinhando com lógica e verdade palavras que formam pensamentos. Estes, quando organizados e coordenados, redundam em sabedoria. A sabedoria de viver.
Jornalistas, escritores, cronistas, contistas e poetas, são profissionais que nas suas atividades se confundem com os artistas, psicólogos e sociólogos, cuja responsabilidade nunca é avaliada com o valor e consideração que merecem. Por isso mesmo os profissionais da palavra, também chamados de formadores de opinião, são os responsáveis não só por levar a informação ao grande público, como também por avisá-lo, despertá-lo e defendê-lo em meio às agruras e acontecimentos positivos e negativos do dia a dia. A primeira grande voz que se levanta, que avisa, que denuncia, que elogia, que cobra, que agradece, que orienta, é a do jornalista.
Nada incomoda mais ao político corrupto e aos aprendizes de ditadores, do que a coragem de um grande jornal ou de um jornalista. Lamentavelmente, o governo atual começa a tomar medidas para calar e caçar a liberdade dessas vozes, principalmente, das mais corajosas e resolutas.
A voz do povo não é a voz de Deus. Nem a voz da imprensa livre é a voz de Deus, embora, seja esta a voz que, no mundo secular, melhor defende as verdades que procedem de Deus. Não a Palavra de Deus, propriamente dita, mas, as verdades que são conseqüências da Palavra de Deus e constituem a base da moral, dos bons costumes, da dignidade, do respeito à lei e aos direitos do cidadão, como nós sabemos.
Todos os autores de atos inconfessáveis e indignos são passíveis de recriminação e punição. Mas, precisam ser descobertos, denunciados, para que a verdade venha à tona e medidas corretivas sejam tomadas. Daí o grande incômodo e perigo que representa para os governos corruptos e imorais a existência de uma imprensa livre, corajosa e combativa.
P.S.: O jornal “O Estado de São Paulo”, um baluarte da democracia nesse País, continua sob censura há 360 dias e ninguém faz nada, ninguém protesta, ninguém se importa. Somos um povo que caminha calado e ingenuamente em direção a um futuro negro e sem liberdade.
Escritor e membro da AELB, (E-mail: ebenezeranselmo@yahoo.com.br)
