Alberto R. Fioravanti

No dia 26 de julho se comemorou o Dia da Avó e o Dia dos Avôs – figuras que aos poucos, com o desenvolvimento das nações, foram se adaptando e assumindo novo papel de grande importância dentro do seio familiar. Como considero muito relevante a comemoração desse dia, não poderia deixar de transcrever numa crônica o que brota do meu coração.

Esse é o dia em que a Igreja Católica celebra Sant’Ana e São Joaquim que, segundo a tradição cristã, são os pais de Maria e, por conseguinte, os avós maternos de Jesus. A personalidade dessas duas pessoas sempre me foi simpática, pois, ainda que meus dois avôs já fossem falecidos quando eu nasci, tive a sorte de ter convivido muitos anos com minhas duas avós, especialmente minha avó paterna, que me deram muito carinho e grandes ensinamentos.

Sant’Ana e São Joaquim, inegavelmente, exerceram uma grande importância na história da salvação, pois deram luz à Maria que viria a se tornar o tabernáculo vivo de Deus feito homem. Certamente foi com os ensinamentos e os exemplos de seus pais que Maria deve ter seguido e também ensinado a seu filho Jesus. A figura de Sant’Ana sempre foi vista com simpatia, tanto na mente como no coração de minha esposa, e por isso, quando nossa filha Ana Rachel nasceu em Roma, a levamos para ser batizada na Paróquia de Sant’Ana, no Vaticano.

Estou certo que todos os avôs e avós, concordarão comigo que agora, a tarefa que antes era somente brincar, levar as crianças à escola, preparar coisas gostosas e contar casos divertidos para elas, agora divide também espaço com uma carreira, estudos e novas obrigações, pois os avós de hoje são também muito mais jovens do que os avós de outrora.

Penso que talvez a figura das vovós possa estar mudando, mas uma coisa não pode e nem deve ser alterada – a postura de “mãe mais madura”, que com sua experiência consegue levar com facilidade e naturalidade a relação com as crianças, pois ela já está consciente de todos os acertos e os erros cometidos com a criação de seus filhos e filhas. Recentemente o próprio Papa Bento XVI afirmou que nas famílias de hoje, os avós são testemunhas dos valores fundamentais da vida e que seu papel educativo é sempre muito importante e torna-se ainda muito mais quanto, por várias razões, os pais não conseguem dedicar um tempo adequado para seus filhos.

Nesta época em que a globalização está levando à perda das culturas locais, corroendo o sentimento de pertença e de identidade das pessoas e grupos sociais, dentre eles a família, e criando um ambiente de instabilidade, surgem os avós como uma força, um tesouro, e dentro desse quadro também de insegurança, de uma importância vital para a felicidade e para o bem estar da família. Assim, pela presença acolhedora dos avós, as antigas tradições e memórias da família podem ser compartilhadas e transferidas para as novas gerações, e sobre isso eu dou testemunho, pois um relacionamento amoroso entre avós e crianças ajuda a cultivar a confiança e uma autoimagem positiva para as gerações mais jovens. Como não se lembrar da figura da avó ou do avô que ensina o neto ou a neta as orações, as tradições familiares e religiosas?

O papel dos avós na família vai muito além dos mimos dados aos netos, e muitas vezes eles são o suporte afetivo e financeiro de pais e filhos. Por isso, se diz que os avós são pais duas vezes, e as avós são também chamadas de “segunda mãe”, pois muitas vezes estão ao lado da educação de seus netos, com sua sabedoria, experiência e, com certeza, com um sentimento maravilhoso de estar vivenciando os frutos de seu fruto, ou seja, a continuidade das gerações.

Assim meus amigos, celebrar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência da vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no convívio com as pessoas e com a própria natureza. Assim quero recomendar a todos, para aproveitar todos os dias do ano para mandar mensagens de carinho e amor aos queridos vovô e vovó, e que não se esqueçam de dizer com frequência o quanto vocês se lembram deles.

Ser avô ou avó não significa obrigatoriamente ter que ser velho, mas implica um diálogo intergeracional em que o mais novo possa reconhecer o valor da sabedoria dos mais velhos.

Dr. em Planejamento Econômico e Social, e Acadêmico da Academia Campista de Letras.