José César Caldas

Os poetas com suas frases encantadas, falam das usinas  de sonhos, mas queremos falar sobre o ocaso das nossas usinas de açúcar, provocado não pela má administração, talvez pela baixa produtividade das nossas terras. Quando se deu a revolução cubana chefiada por Fidel Castro, dois anos depois a produtividade das usinas desse país que era de 10 milhões de m³ de açúcar, baixou pela metade, porque faltou a iniciativa privada, visto que o revolucionário barbudo institui ali naquele país a nacionalização das  usinas,  que em palavras claras quer dizer que o novo regime instituído tomou dos verdadeiros proprietários  as empresas que exploravam o setor sucroalcooleiro.

Em Campos,  a situação também foi deteriorada, não pela inércia dos empresários, mas decorrente da baixa produtividade do solo, pelo fato de ter  chegado ao conhecimento dos empresários paulistas que as terras do Centro-oeste davam três vezes mais do que a cana campista, justamente porque as nossas terras não possuíam a fosforina, essencial à alta produtividade da cana-de-açúcar.

Quando eu falei que seria   uma boa solução  a instalação da Embrapa em nosso território para nos dizer qual o substituto ideal da cana-de-açúcar a ser cultivado no nosso solo, fomos procurado pelo Dr. Silvino Amorim, chefe da Pesagro-Rio em Campos, que a sua repartição está preparada para indicar aos antigos plantadores de cana qual a lavoura ideal que seria plantada nas nossas terras, dizendo mais que  já se planta em Campos o arroz  com bastante tecnologia e que é a lavoura substituta indicada para as nossas terras, faltando apenas o apoio político para isso acontecer, lembrando ele que  a sociedade campista deve ser convocada a formar um pensamento bairrista porque nos dá tristeza ver os campos outrora lavrados e hoje abandonados sem  cultivo de nada e com uma pequena população bovina.

Argumenta  ainda mais  o Engenheiro Agrônomo da Pizarro, que os nossos políticos deviam fazer os seus exercícios políticos junto ao Banco Municipal da Prefeitura “FUNDECAM”, para que mobilizasse  os lavradores a mudar de ramo, plantando arroz, soja ou milho, que daria muito mais lucro que a cana-de-açúcar, haja vista que um caminhão de cana vale hoje  cerca de R$ 180,00 e um caminhão de 6 m³ pedra é vendido por mais de R$ 400,00.

É necessária  uma mobilização ampla de nossos políticos  junto à Secretaria Estadual de Agricultura do Estado do Rio, com o apoio do Sr. Governador do Estado e da Prefeitura de Campos, para que passe a financiar essa nova forma de agricultura, porque é triste ver o nosso solo vazio    sem nenhuma lavoura e desabitada da criação bovina.
Talvez  por um lapso de nossa parte, quando falamos Embrapa queríamos dizer PESAGRO, a qual não tem mais poder para introduzir seus projetos e programas por faltar apoio político.

Membro da Academia Campista de Letras (ACL)