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Galo x Urubu: uma rivalidade histórica
Hoje é dia de Atlético Mineiro x Flamengo, jogo clássico que se transformou em uma das maiores rivalidades do futebol moderno. Atlético e Flamengo transcende ao Mineirão e abre as cortinas para todos os estados brasileiros desde aquela decisão da Libertadores, que aliás nem decisão foi, era apenas uma semifinal e com nuances de “gran finale” devido aos acontecimentos extra-campo e até dentro das quatro linhas.
As arbitragens neste jogo sempre foram contestadas. José Roberto Wright é visto como anti-Galo por ter sido cruel com os mineiros nesta partida disputada no Serra Dourada, em Goiânia. Mas o grande jogo entre estas duas forças do futebol brasileiro foi jogado em uma quarta-feira, 2 de dezembro, no Estádio Magalhães Pinto, o Mineirão, valendo uma vaga na final do Brasileiro de 1987.
Era o dia em que todos conheceriam o primeiro finalista do Brasileirão daquele ano. No domingo anterior, 29 de novembro, o Flamengo vencera o até então invicto Atlético Mineiro por 1 x 0, gol de Bebeto. E mesmo carregando a vantagem do empate para Belo Horizonte, poucos acreditavam que o time da Gávea pudesse sair classificado para as finais. Um público de 84.929 torcedores, em sua esmagadora maioria de Atleticanos, tornou o clima daquela partida o mais hostil possível para qualquer Rubro Negro presente dentro do estádio. Seja no campo ou nas arquibancadas, o que se viu foi uma verdadeira guerra. Torcedores atacados com pedras, morteiros e tudo mais que poderiam atirar contra os cariocas. Dentro de campo, a batalha não seria menos intensa pela vaga na decisão.
Creio que foi assim que surgiu esta rivalidade. O cronista que vos fala não tem bronca do Galo, mas amigos meus, que assistiram aquele jogo ao meu lado, via televisão, espremido em um canto qualquer de uma sala de televizinho, na minha Miracema, contam que até hoje odeiam o Atlético talvez até mais do que um dos outros três times rivais da capital do estado.
Eu disse que este jogo e esta rivalidade moderna tem uma história, que começa com sufoco atleticano nos minutos iniciais. Era a tensão do adversário disposto a reverter a vantagem logo no início da partida. Fato é que o Flamengo suportou bem essa pressão e aos poucos começou a sair para o jogo.
Chegamos aos 22 minutos do primeiro tempo. Zico carrega a bola pelo meio campo e passa para Bebeto, aberto pela direita. Ele adianta um pouco a bola, mesmo assim ganha do zagueiro atleticano na disputa de corpo. Ele então ajeita com carinho e cruza, perfeita, na cabeça de Zico. Mesmo entre dois zagueiros, não há perdão. Enquanto o então infernal Mineirão silencia, a Nação Rubro Negra, espremida nas arquibancadas ao lado direito das cabines de rádio e televisão, explode. Mengão 1 x 0.
Depois de muita pressão, de brigas nas arquibancadas, de xingamentos a Dulcídio Wanderley Bosquila, o árbitro do jogo, Bebeto carimbou mais uma vez a rede atleticana e daí prá frente foi “gato contra rato” o Flamengo mandando no jogo, perdendo gols incríveis e a massa fazendo o Atlético jogar como nunca e tudo no Mineirão parecia um imenso caldeirão, faltava apenas um pouco mais de água naquela fervura. O Galo empatou, fez o jogo virar e parecia que levaria o jogo neste diapasão até a virada definitiva do placar. Era um grito ensurdecedor vindo de todos os lugares do Mineirão. Nem mesmo os narradores conseguiam conter a emoção. Ouvíamos o jogo pelo rádio e olhávamos as imagens da televisão, já que o som não chegava onde estávamos, aliás aquela sala mais parecia uma geral do Mineirão.
34 minutos, segundo tempo. Saída errada de bola do Atlético no meio campo. Flávio apenas afasta? Flávio dá passe genial? Não importa. Ela cai no pé de quem conhece, de quem tira sabe-se lá de onde um último fôlego para uma última arrancada. Renato. Cortado um ano antes da Copa do Mundo de 1986 por Telê Santana.
Telê. Um ano depois da Copa vê Renato avançar desde o meio campo, ganhar na corrida do zagueiro, driblar João Leite e empurrar a bola mansamente para as redes.
Hoje não é decisão e nem mesmo dá vaga em final, porém, tem sempre um porém, quem vencer hoje dá um passo gigantesco para ficar com o Brasileirão 09. |
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